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  • Estratégia Parlamentar

O que Cobra Kai pode ensinar sobre domínio de narrativa para perfis políticos

Aprenda lições valiosas para a construção da sua narrativa política com uma das séries mais bem avaliadas na Netflix, nos últimos tempos.

Após 34 anos do grande embate que marcou presença na sessão da tarde e na memória de adolescentes e pré-adolescentes da época, hoje já pessoas adultas. A trama Cobra Kai traz o retorno de Daniel LaRusso e Johnny Lawrence, protagonista do filme Karatê Kid, e tem sido considerada uma agradável surpresa, ao reacender o clima de nostalgia, mexer com emoções e trabalhar com elementos como autenticidade e humanização.


Com avaliação positiva, acima de 97%, a série Cobra Kai pode ensinar muito sobre aspectos que perfis políticos devem trabalhar, para criar bons conteúdos, fortalecer narrativa, aumentar o seu alcance e gerar conexão verdadeira com as pessoas. Confira as dicas:


Emoção gera reação – A série mexe com lembranças afetivas para fazer sucesso.


Para o bem ou para o mal uma emoção sempre vai gerar uma reação, no caso da série, a emoção está no saudosismo e na nostalgia, e acerta ao trabalhar esses elemento para gerar uma emoção nas pessoas, que sentem vontade de conferir mesmo que por curiosidade ou porque despertou nelas emoções relativas ao passado. Por isso quando você for criar conteúdos para o seu perfil político, pense: Que emoção esse tipo de conteúdo vai gerar nas pessoas?


Todo conteúdo deve ter uma intencionalidade e ela deve ser clara para a construção do seu objetivo. Quando você tem consciência do uso das emoções o seu conteúdo passa de uma construção intuitiva, para uma criação mais direcionada, aumentando as chances de gerar maior engajamento com aquilo que você publica nas redes sociais.


Vale lembrar que atualmente boa parte dos políticos, de posicionamentos mais midiáticos, trabalham com posts intencionais, normalmente, de cunho ideológico, para despertar emoções universais, que podem ser: Tristeza, medo, alegria, raiva ou nojo.


Uma boa narrativa, normalmente desperta algum tipo de emoção. Esteja consciente disso e aplique em sua comunicação política.


A humanização, cria narrativas que conectam


Na série o vilão Johnny Lawrence foi humanizado, para justificar atitudes do passado. Ao conferir aspectos mais humanos ao lutador, as pessoas passaram a compreender melhor suas ações e passaram a vê-lo como uma pessoa que apesar de tudo, também tem seus erros e acertos.


Vivemos na era da humanização e isso é algo que políticos precisam entender. Foi-se o tempo em que a vida pessoal ficava no mundo onde as pessoas não tinham acesso.


Quando a humanização é construída de forma perspicaz com a intenção de fortalecer a imagem política, ela pode ser extremamente benéfica, porque gera confiança, fator primordial e base para a construção de influência política digital.


Ao mostrar seu lado humano a conexão é imediata pois, além de gerar empatia, traz uma verdade comum a todas as pessoas: Ninguém é perfeito.


Porém lembre: Humanização, não tem nada a ver com exposição desnecessária. Em tudo existe limite, principalmente quando falamos de duas esferas que se relacionam (que são a vida pública e vida pessoal) para a construção de sua imagem.

O que move uma história é a causa que ela defende Cobra Kai, traz aspectos sutis que justificam o seu nome, afinal ela poderia se chamar Karatê Kid - A saga continua, ou qualquer outro nome semelhante. Mas ao contrário, a história empresta o nome da Academia onde são realizadas práticas questionáveis e que se distanciam da essência do verdadeiro Karatê. Suspeito que o nome dado a série, traz luz justamente a essa questão: A essência do que é realmente lutar Karatê e nesse caso, falamos da defesa de uma causa maior que envolve caráter, respeito, razão e contenção da agressividade: Ao denominar Cobra Kai, a redenção e a volta às origens do que é a arte marcial pode ser mostrada ao final da série, como defesa de uma causa maior, o que potencializa ainda mais a história contada. Para políticos, a defesa de causas também conecta. O fato é que pessoas estão cansadas de fanatismo partidário. Já causas, mobilizam e fazem com que as pessoas se interessem por aquilo que está sendo dito. O digital tem mostrado que a defesa de causas vem crescendo exponencialmente, criando comunidades que lutam por um objetivo em comum. Ao trabalhar aspectos focados em defesa de causas e não somente de partidarismos, as chances de criar audiência e construir comunidades em torno daquilo que você acredita, são consideravelmente maiores. Toda narrativa é construída a partir de uma perspectiva

Voltando ainda ao aspecto do antagonista da trama, mais uma lição pode ser aprendida: Toda história tem dois lados e tudo depende da perspectiva que você olha. Isso também se aplica ao contexto político. Algo que pode ser visto como escândalo ou crise de imagem para uns, pode ser tomado como fortalecimento de capital político para outros. Devemos levar em consideração que a internet e principalmente as redes sociais, movidas por algoritmos, são formadas por bolhas, onde todos nós querendo ou não estamos inseridos, e para sair de uma bolha é preciso um esforço consciente, pois confronta aquilo que acreditamos e a maioria das pessoas não está disposta a fazer isso. Saber que as bolhas existem e construir narrativas sob a perspectiva dessas bolhas, é o que faz políticos moderar ou até mesmo mudar discursos para falar com sua base convertida e assim aumentar sua popularidade quando a mesma se mostra em queda ou oscilação. É nesse campo também que as Fake news prosperam, pois usam como mola propulsora, além das bolhas, aquilo que se chama pós verdade, que é quando uma situação é mais influenciada pelo viés da emoção e crença pessoal, do que pelo fato, tal como ele se apresenta. Quando você compreende que uma narrativa política tem várias perspectivas, passa a entender que discursos que podem não fazer nenhum sentido para você, acertam em cheio mentes e corações de pessoas que acreditam no que está sendo dito. A autenticidade é o que te torna único Ao longo de toda a série, o legado de Karatê Kid é preservado, porém a autenticidade da história é trazida por meio de novos conflitos e novos personagens com posicionamentos e atitudes que conferem uma personalidade única ao remake. Se a série não tivesse essa autenticidade, talvez não conquistaria novos fãs que na época da trama original, nem eram nascidos. Considerar que apesar de uma história e um legado político, você deve trabalhar a própria autenticidade é o que fará com que você se destaque. Muitos políticos, principalmente os de família que já tem histórico na vida pública, são mais lembrados pela herança política que detém, do que pelas ações que realizam, e o que pode parecer uma benção, acaba se tornando uma maldição, pois vivem a sombra de um passado que os impedem de construir a própria história. Entender e respeitar um legado é importante, mas na atualidade para se manter e aumentar o capital político é preciso ter autenticidade. E mesmo que você não tenha herança política, saiba que trabalhar a autenticidade de modo que potencialize sua imagem e ações, é o que te fará diferente dos milhares de políticos que disputam a atenção e o voto das pessoas. Pense nisso.

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